Maria
Luiza de Monteiro Marinho Se
hoje não pude olhar
Com olhos de tudo ver
Talvez amanhã eu veja
Tudo que não pude sentir
Quem sabe então serei
Sábia de tantas vidas
Portadora de todos vícios
Ladra de todo amor
Dona de todo riso
Serei rainha e vilã
Juíz e condenada
Cortezã e cortejada
Aplaudida e odiada
Sorrirei como quem chora
Chorarei às gargalhadas
Invertendo o calendário
Vestirei lã no verão
Me banhando no inverno
Que labirinto sou eu
Neste caminho inverso
Neste olhar de esguelha
No gesto que não se completa
No pensamento não dito
No passo apenas ensaiado
Sou eu mesmo, ou sou você ?
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